segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Anime - MONSTER




"Vi, então, levantar-se do mar uma Fera que tinha dez chifres e sete cabeças; sobre os chifres, dez diademas; e nas suas cabeças, nomes blasfematórios. A Fera que eu vi era semelhante a uma pantera: os pés como os de urso e as faces como as de leão. Deu-lhe o Dragão o seu poder, o seu trono e a sua autoridade. Uma das suas cabeças estava como que ferida de morte, mas essa ferida de morte fora curada. E todos, pasmados de admiração, seguiram a Fera e prostaram-se diante do Dragão, porque dera o seu prestígio à Fera, e prostaram-se igualmente diante da Fera, dizendo: “Quem é semelhante Fera e quem poderá lutar com ela?”
**passagem bíblica referente á chegada do AntiCristo**

Uma das obras mais sofisticadas e complexas já desenvolvidas em mangá e anime, Monster irá mudar para sempre seu conceito sobre quadrinhos e animação japonesa.

Criado por Naoki Urasawa, Monster é uma obra seinen (gênero de mangás direcionado ao público adulto masculino) iniciado em 1994 e finalizado em meados de 2001. O mangá conta com 18 volumes (no Brasil foram publicados alguns volumes pela editora Conrad - que suspendeu a publicação devido á falência da editora. Mas o mangá voltou a ser publicado, desde o início e na íntegra pela editora Panini, tendo uma qualidade excelente) e uma excelente série em anime com 74 episódios produzida pelo conceituado estúdio Mad House e tendo a caracterização feita por Kitaro Kosaka.

Tanto o mangá quanto o anime seguem a mesma linha, acontecimentos, informações e desfecho. O anime, porém, conta com capítulos que não possuem conexão direta com o enredo principal, mas possuem ligações com o mesmo.

Monster é algo totalmente diferente do que estamos habituados em ver nos animes - de verdade. É tão realista em personagens, cenários e fatos históricos que em certos momentos acreditamos estar assistindo á uma série policial com atores de carne e osso. Não há nessa obra espaço para clichês, romances açucarados, otimismos, lições de moral e coisas do tipo. Não há cenas de humor, tampouco expressões comuns em animes. Monster é uma obra focada no psicológico, um suspense capaz de intrigar e nos envolver de uma forma anormal. É absurdamente real e tangível, com personagens convicentes em suas personalidades e motivações.

O enredo se passa na Alemanha, tendo início no ano de 1986. Nessa época (e um pouco antes - através de flash-backs e depoimentos ao longo da trama) houve a queda do Muro de Berlim que tornou a unificar a Alemanha Oriental e Ocidental e os fantasmas do nazismo ainda eram presentes. E, como toda guerra, suas consequências sempre estariam presentes, tomando novas formas.

E é com base nisso e uma árdua pesquisa (tanto em termos de cronologia histórica e tendências sociais quanto na réplica de cenários e detalhes de cidades) realizada de forma impecável que Naoki Urasawa conduz o seu Monster.



A história se inicia oficialmente no hospital Memorial Eisler, em Dusseldorf. O doutor Kenzou Tenma é um jovem neurocirurgião muito talentoso, íntegro, dedicado e noivo da filha do presidente do hospital, tendo assim tudo para um futuro promissor. Tenma ama sua profissão, sendo um médico muito requisitado para realizar cirurgias de alto risco. E, por ordens do presidente da instituição, ele sempre era obrigado a priorizar os pacientes de "maior importância" para aumentar o status do hospital perante a mídia. Tenma era contra esse sistema, mas via-se obrigado a cumprí-lo se quisesse continuar na equipe de neurocirurgia. Até aquele incidente acontecer.

Um crime hediondo ocorre na mansão Liebert. Os pais foram assassinados, o assassino fugira sem deixar rastros e, em um quarto os policiais encontram um casal de crianças gêmeas. A menina em completo estado de choque e, aos seus pés, um garoto em coma por levar um tiro na testa.

Prontamente as crianças são levadas aos hospital Eisler e Tenma se preparava para realizar a cirurgia que salvaria a vida do garoto quando recebeu a ordem de operar o prefeito que acabara de sofrer um derrame. Dessa vez, honrando sua ética médica, Tenma opta por operar o garoto, deixando o político nas mãos de outra equipe.

A operação do garoto é concluída com êxito porém, o prefeito falece. E começa o inferno na vida do dr. Tenma. O presidente do hospital o acusa de ter desobedecido uma ordem e manchado a reputação do hospital. Aturdido, Tenma desabafa com sua noiva e ela, em vez de ajudá-lo, o critica e despreza. E Tenma conclui que suas chances profissionais acabaram.

Subitamente as crianças gêmeas fogem do hospital e logo em seguida os diretores e o presidente do hospital são assassinados de forma misteriosa e, mesmo sendo suspeito dos assassinatos, Tenma acaba por se tronar o cirurgião-chefe.

Quase dez anos se passam e Tenma descobre, de forma chocante, que o garoto que salvara a vida se tornou um serial killer frio, manipulador e totalmente desconhecido. E ele ainda admite, em um encontro perturbador, que é muito grato á Tenma por ter lhe salvado a vida e, como agradecimento, ele matou todas as pessoas que prejudicaram o médico, o fazendo tornar-se cirurgião-chefe. O rapaz então revela seu nome: Johann Liebert, desaparecendo então sem deixar rastros.



Acuado por mais um assassinato cometido por Johann, Tenma passa a ser considerado um assassino em série e se vê obrigado a fugir na tentativa de provar sua inocência. Para conseguir isso ele precisa encontrar provas de que Johann realmente existe e é o responsável pelos crimes.
Mas isso não será simples. E, á medida que Tenma procura por informações e indícios de Johann, passa a descobrir algo muito mais assustador e perigoso do que poderia imaginar.

 Monster aborda a situação político-social da Alemanha na época em que se passa a história.
Mesclando temas como experiências nazistas, busca pelo poder, marcas de guerra, unificação alemã e orfanatos sinistramente misteriosos, Naoki Urasawa desenvolveu um enredo intrigante.

Monster é violento, mas não de forma física. Não há banhos de sangue e cenas apelativas. Sua violência é sutil, profundamente psicológica. Todos os personagens - sejam eles protagonistas, coadjuvantes ou até mesmo figurantes - são humanos e chegamos a nos identificar com seus problemas e razões. Porém, os protagonistas se revelam pessoas perturbadas mentalmente. Altamente perturbadas. Na demonstração da teoria de que existe um monstro dentro de cada um de nós.

Esta é uma obra que, mesmo sendo um pouco longa, em nenhum momento se torna extenuante. Porque seu roteiro é único. Em cada episódio observamos os personagens em suas buscas por respostas, vingança, interesse, anseio. E sem que percebemos, já estamos envolvidos. Á medida que questões são respondidas e guardadas como informações, novos mistérios surgem, revelando uma rede ainnda mais perigosa e complexa e isso por causa única e exclusivamente de Johann.

Ah, Johann Liebert, o monstro do título. Por mais que torcemos e nos identifiquemos com Tenma, admiremos a gêmea Ana (que sofrendo de amnésia adere a identidade de Nina), fiquemos confusos com a presença da ex-noiva de Tenma, Eva, nos interessemos pelo misterioso Grimmer e nos surpreendemos com a frieza analítica do detetive da BKA, Lunge (que mete mais medo do que qualquer outro personagem), nada se compara á sensação que sentimos perante Johann.

Johann é único. Um psicopata genuíno. Com sua aparência angelical e apática, voz doce e desprovido de qualquer traço emocional, é um eterno enigma, um perfeito resultado experimental. Não é um assassino sórdido, ele simplesmente não sente nada ao matar, não sofre de distúrbios estereotipados padrão de serial killer ficcional. É autêntico de forma assustadora - real e ilusório ao mesmo tempo. Jovem, agraciado com uma habilidade discursiva incomparável ele consegue obter a devoção de qualquer pessoa que desejar - sem excessões. E, por ele, as pessoas são capazes de matar.


Johann Liebert...sim, ele é m autêntico psicopata.

Mesmo que sejam criminosos, oficiais, civis ou até crianças, Johann é capaz de, com simples conversas, descobrir os segredos, medos e anseios de cada pessoa, usando então para seu benefício. Inteligente e incógnito, Johann parece sempre inatingível. É impossível não focarmos nossa atenção em Johann quando ele aparece - seu poder parece atrair todos, inclusive o espectador.

Tão intrigante quanto Johann é a ligação dele com sua irmã gêmea, Ana. Ela é a única que parece importar ao rapaz. E Ana se vê lançada novamente ao pesadelo, tendo que se recordar de terríveis e lembranças na tentativa de compreender e recordar-se de coisas que não gostaria. E Tenma, vítima das consequências indiretas de seus atos, junta culpa e vingança. A morte de Johann é o que ele busca mas no caminho existe pessoas que veem Johann como um líder sem igual.

Contar pontos essenciais para se fazer um bom artigo sobre Monster seria entregar informações valiosas sobre o enredo. É o suspense psicológico, o choque das descobertas, a necessidade absurda de respostas, pensar em razões e traçar toda uma linha de raciocínio com base em fatos que tornam essa obra incrível. É uma história policial focada na complexidade da mente humana e seus cotidianos, com um enredo que nos deixa perturbados e ansiosos.


os gêmeos Johann e Ana

Monster é incomparável. Diferente, original, perturbador, viciante. A trilha sonora traduz as sensações ao longo dos episódios e o clima soturno e realista torna tudo tangível. É real e ficcional ao mesmo tempo. Feito para pensar, feito para chocar. Certamente apenas aqueles que sabem identificar uma obra fenomenal entenderão a complexidade psicológica de Monster.

Mais do que recomendado, MONSTER é impossível de ser explicado em uma única análise. Portanto, assista, intrigue-se, pense e vislumbre uma das melhores obras já desenvolvidas.


Eu como Johan Liebert


~*~

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4 comentários:

  1. Oi, Tsu!
    Demorei, mas apareci, uhauehuaheuaheua.
    Menina, fiquei muito feliz com seu comentário lá no blog. Setembro foi provavelmente o mês mais corrido da minha vida, por isso não postei mais, e quase pensei em largar o blog. Mas aquela sua visita e comentário me deu um gás pra manter. Não é incrível como algumas coisas acontecem na hora certa? Também me inspirei nesse seu recomeço, e tô a fim de mudar algumas coisinhas, também. Tô bem mais animada.
    Sobre esse artigo... tô doida pra assistir "Monster". Aliás, nem sei porque diabos ainda não assisti, provavelmente pela falta de tempo, hehehe. O último anime que me prendeu foi "Nana", então tá na hora de renovar. :D
    Beijinhos, sucesso nessa nova fase! ;)

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    1. Oiee Lety!!!
      Nossa, sério mesmo que vocêp ensou em largar o blog? Ainda bem que não largou! Vamos tentarnos manter na blogsfera1 Esses tempos pra mim também estão sendo uma correria danada e quando decidi recomeçar o blog tentei entrar em contato com os blogueiros daquela nossa época de ouro da blogsfera hehehe.
      Ah fico feliz que meu comentário em inha volta te motivou a se manter por aqui também! Nunca mais papeamos pelo face..quando me ver online, pode me chamar lá!
      bjs!!

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  2. Oi Tsu!
    Blog novo... Velha Tsu!
    Gostei. Achei o texto bom mas muuuuito grande, hahahaha. Mas dá pra ver que é sua paixão!

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    1. Oi André!!
      Ah sim! Blog novo mas a Tsu de sempre..só que bem mais zoeira huehuehuehue.
      Ah o texto ficou meio grande mesmo mas Monster é tão bom que não dá pra falar pouco dele XD
      bjs!

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