quarta-feira, 30 de março de 2016

A Primeira Princesa Disney



Quando falamos em Primeira Princesa da Disney, a primeira imagem que nos vem á mente é a Branca de Neve. Na verdade não apenas nas pessoas mas se você perguntar para qualquer pessoa que trabalhe com mercado consumista (que desenvolva produtos da linha Disney) a resposta também será para essa bela e gentil princesa.

Branca de Neve foi criada  pelos estúdios Walt Disney em 1937 e Branca de Neve e os Sete Anões é um verdadeiro marco histórico da animação e do cinema. Porém, embora todos nós acreditemos que Branca é a primeira princesa do estúdio, ela NÃO É.



Como assim? Então toda a minha vida fui enganado?
Sim e não, pequeno padawan.
É um fato de que na linha Princesas Disney, que licencia os produtos com as princesas Disney, Branca de Neve seja a primeira princesa do estúdio. Até porque ela é uma personagem rentável, conhecida e que agrada muito o público (ou seja, ela é vendável). Eu particularmente gosto da Branca de Neve, não é minha preferida, mas gosto bastante e considero até ela como uma das princesas mais bonitas. Olhem bem para os traços dela na animação original (que são bem diferentes do design utilizado nos produtos licenciados) e vocês notarão que os traços dela são totalmente diferentes de qualquer outra princesa Disney. Ela é realmente única.

Mas então...quem é realmente a primeira princesa Disney?
É essa aqui:



A DEUSA DA PRIMAVERA é um curta animado pertencente á série Silly Symphonies lançado em 1934. A protagonista é a deusa Perséfone, filha da deusa Deméter com Zeus, de acordo com a Mitologia Grega.
Esse curta animado foi um teste para a criação da própria Branca de Neve pois os animadores da Disney até então nunca haviam "trazido á vida" uma personagem não humana ese focavam mais em animais excêntricos de trejeitos humanos.

Segundo Alyssa Carnahan, coordenadora do estúdio do Walt Disney Family Museum, Perséfone preparou os animadores do estúdio a criar uma figura humana feminina que se movesse e gesticulasse com graça e desenvoltura como uma bailarina e que tivesse o modo mais realista possível para que, posteriormente, estas técnicas fossem utilizadas e aperfeiçoadas em Branca de Neve.

Os movimentos de Perséfone foram feitos pela esposa de um dos animadores e isso era uma prática comum em várias obras Disney, que utilizavam modelos vivos para interpretar os personagens e inspirar os ilustradores.






The Godess of Spring é inspirado no Rapto de Perséfone, uma história da qual os amantes e estudiosos de mitologia grega conhecem muito bem. Nessa história, Perséfone é a bela e única filha da deusa Deméter (a deusa das estações e das colheitas) com Zeus (que é o rei dos deuses, portanto Perséfone é uma princesa). Enquanto colhia flores no campo, ela foi sequestrada por Hades, o deus do mundo dos mortos (e irmão de Zeus e Deméter, consequentemente é tio de Perséfone mas na mitologia grega não há problemas com incestos, afinal, são deuses!).  Hades sempre foi um deus irredutível e por uma artimanha de  Afrodite, ele se apaixona por Perséfone assim que a vê. Tomado por uma paixão incontrolável, ele captura Perséfone e a leva para o Mundo dos Mortos, fazendo dela sua rainha.

Com o sumiço da filha, Deméter fica desolada e  ao descobrir seu paradeiro, consegue a permissão de Zeus para trazer a filha de volta. Porém, Perséfone já havia comido uma romã entregue por Hades e isso impossibilitava que ela retornasse ao mundo normal. Diante do desespero de Perséfone e o sentimento de Hades, Zeus então propôs um acordo: metade do ano Perséfone passaria com a mãe e a outra metade com o marido.
Assim, o verão e a primavera representam o tempo em que Perséfone está na terra e o outono e inverno representam o tempo em que ela está com Hades no mundo dos mortos.

Claro que as histórias da mitologia grega são muito mais complexas e com abordagens diversas dependendo da época em que são recontadas, podendo terem sido alteradas de região para região. Além do que histórias de mitologias tendem a também possuírem diferentes interpretações mas o que coloquei acima foi apenas o conceito básico do conto de Hades e Perséfone. A história em si é muito mais longa e complexa, só não a coloco aqui para que o artigo não fique muito extenso e afinal, não é sobre este conto que o artigo trata.



Rascunhos conceituas originais dos personagens



Mas, voltemos a animação.
The Godess of Spring é  uma animação inteiramente musical e nele, a deusa da primavera vive feliz na floresta rodeada por animais e criaturas míticas até que um dia, subitamente, o deus do submundo aparece (na forma clássica de um demônio) e pede que a moça torne-se sua esposa. Ela se recusa e então ele a rapta e a leva para o inferno.
Engraçado notar que, embora o conto seja inspirado em Hades e Perséfone, a Disney optou por criar uma imagem bem cristã dos personagens. Vemos ali a donzela bondosa e virginal que é levada pelo que seria o próprio mal. O que seria o mundo dos mortos é na verdade o clássico inferno, algo que é totalmente diferente do mundo dos mortos.
Não sei qual seria a intenção da Disney de criar uma imagem diferente (e até um pouco chocante) mas talvez isso tenha sido feito para ser mais facilmente compreendido para o público (seja ele adulto ou infantil). Interessante notar que o demônio mesmo tendo-a raptado, em nenhum momento a trata mal; ele a enche de presentes e ao ver que nada funciona, pede que ela diga o que deseja.

Nessa animação é possível notar referências que viriam a ser utilizadas nas obras posteriores do estúdio, como os anões, os gestos da princesa, a forma como ela segura a saia ao rodopiar, as flores que se movem, etc. A personagem Perséfone é também gentil, curiosa, amada...ela assume riscos e acredita na redenção.  Algo muito presente nas princesas criadas posteriormente.





Essa animação nunca foi distribuída comercialmente, sendo um verdadeiro tesouro dos estúdios Disney. Mas ele está disponível no Youtube e coloco ele aqui também para que possa assistir. Ele possui apenas 10 minutos e em toda sua simplicidade e criatividade, realmente vale á pena ser visto e apreciado! 





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terça-feira, 22 de março de 2016

COSPLAY - Light Yagami - Death Note




Aqui, postarei as fotos do meu cosplay e também comentários que eu ache interessante registrar. Seja sobre o personagem, sobre como consegui meu cosplay, o retorno que me trouxe e o que mais eu considerar relevante.


 

O Personagem na Série:

Light Yagami (Raito Yagami no anime) é o protagonista e também vilão da obra Death Note. Um estudante perfeito dentro de todos os padrões da sociedade, ele é objeto de admiração de inúmeras pessoas,
Muito inteligente e com extremo poder dedutivo, mas ao mesmo tempo inseguro e entediado, até o momento em que encontra um Death Note (caderno da morte) de um shinigami chamado Ryuk, um caderno com o poder de matar pessoas que tem seus nomes escritos nele. Light então passa a provocar mortes de criminosos ao redor do mundo que não são devidamente punidos. Usando o Death Note, Light planeja criar um novo mundo livre do mal e de injustiças onde ele seria um deus.

Com o tempo, á medida que vai amadurecendo e controlando mais e mais as habilidades de matar que o Death Note proporciona, Light se torna uma pessoa altamente manipuladora e isenta de empatia por quem quer que seja. Para ele, todos os outros humanos passam a ser inferiores. É m fato que ele tinha ideais ótimos no início mas talvez, o Death Note tenha sido um poder demasiado grande demais para um ser humano ambicioso e idealista.




Esse foi um cosplay que eu acabei decidindo fazer por conta da praticidade. Não sou o tipo de pessoa que curte fazer cosplay de mais de um personagem de uma mesma série. De Death Note eu havia feito a Misa e o Mello: uma primeiramente por conta da facilidade do cosplay e o segundo por ser meu personagem preferido da série.  Assim não lembro bem como surgiu a oportunidade e a vontade de fazer o Light. Quando vi, o cosplay estava praticamente pronto e só precisei comprar a peruca.

  Mas, como pensei que usaria o cosplay unicamente uma vez e era mais por uma diversão, acabei optando por uma peruca simples "quebra-galho". Acontece que no final, quando vi o resultado nas fotos, acabei gostando e pensando que poderia sim, utilizar o personagem mais vezes. Afinal, Light é um personagem psicopata e eu AMO personagens psicopatas.


simplesmente adoro essa foto!


Não encontrei dificuldades em incorporar o Light. Até gostei de incorporá-lo na hora das fotos. Procurei manter a postura arrogante, cruel e psicopata dele. Como gosto de personagens assim e o pessoal já acha que tenho aptidão para expressões do tipo...foi bem legal. Claro que sempre acho que preciso melhorar em alguma coisa mas vou consertando isso aos poucos.
 Devo admitir que em alguns pontos eu concordo e até mesmo pareço com Light. Mas claro que não direi aqui quais são. Não que eu realmente seja psicopata mas tem pontos na personalidade dele nos quais eu me identifico.
 Embora seja o vilão de DN, Light é também o protagonista e ele é extremamente ambíguo no que diz respeito á caráter, opiniões e ideais. Isso o torna um personagem tangível e que reflete muitos aspectos humanos, principalmente os negativos ou cobiçados.




Eu ainda não usei este cosplay em um evento propriamente dito, mas tenho planejamento de usá-lo, inclusive com grupinho. Mas consegui realizar um photoshoot dele co cemitério e demais cenários, o que foi PERFEITO para passar todo o conceito não apenas do personagem, mas também da obra Death Note. Com o Light foi a primeira vez que fotografei em um cemitério e eu simplesmente adorei a experiência. Posteriormente fiz outros ensaios com outros cosplays e, ainda que tenha gente  que não goste de determinada cenário, eu simplesmente adoro. Ao longo dessa postagem, como pode ver, há fotos desse ensaio.

O bom que é um cosplay super prático, talvez o mais prático que eu tenha porque consigo andar com ele normalmente na rua se necessário e não chamar atenção alguma. Bom, não chamar muito a atenção...




Inicialmente eu tinha uma relação de ódio e admiração por Light. Ele é um dos melhores vilões de animes no quesito inteligência e estratégia.  O conceito de "eliminar os criminosos" é excelente porém muito utópico.  E, tendo a posse do Death Note lhe dando a capacidade sobre a vida e a morte dos outros, ele acaba distorcendo os ideais que tinha em prol de benefício próprio. Mas acredito que qualquer pessoa no lugar dele usaria o Death Note em proveito próprio, talvez não com a intensidade com que ele fez. Talvez o erro de Light tenha sido criar o desejo de ser um Deus.

Light possuía uma boa visão de como lidar com os criminosos mas falhou á partir do momento em que precisou matar uma pessoa não porque ela merecia, mas simplesmente porque ele tinha de se safar de ser descoberto. Com isso, inúmeras vezes Light usou os poderes do caderno de forma estratégica para eliminar qualquer um que fosse um empecilho para alcançar seu objetivo. Chegou ao ponto de não ter ninguém com quem se importasse exceto consigo mesmo.


Light x L e Light x Misa


Não nego que o Light é um grande filho da puta mas ao mesmo tempo a inteligência dele é admirável. Ele realmente é um gênio. Ao decorrer da obra vemos os avanços espantosos que ele faz, as formas como consegue manipular todos á sua volta. Ele usa os sentimentos que as pessoas nutrem por ele (como o amor de Misa e Takada), a admiração dos demais companheiros da central de investigação e até mesmo da sua própria família. Light conseguiu, inclusive, desenvolver uma relação de parceria com o detetive L.  E mesmo que L sempre tivesse a forte suspeita de que o rapaz que tentava tanto desvendar o caso Kira na verdade fosse o próprio,. acabou cedendo á um certo "companherismo" com o mesmo.
Como se não bastasse manipular e enganar humanos, Light conseguiu a incrível façanha de conseguir até mesmo manipular shinigamis, como Rem e Ryukk (ainda que Ryukk fosse esperto, houve momentos que com sua lábia, Light conseguiu convencer o shinigami a fazer algo para ele).

O mais espantoso é que Light, sendo o Kira, conseguiu se tornar o coordenador do projeto que visava capturar o criminoso Kira!





Light é o tipo de personagem que ou você ama ou você odeia. Mas precisa sempre admitir que ele é genial. Claro que essa síndrome de divindade que ele desenvolve (ou será que ele já possuía e só lhe faltava um estímulo e um poder para tal?) acaba o tornando uma pessoa isenta de sentimentos que não por si próprio e a prepotência acaba o traindo ao final, mesmo com toda sua inteligência e perspicácia.

 O destino de Light no anime é diferente do mangá. Embora a maioria das pessoas já conheça Death Note, não contarei spoilers aqui. Mas digo que, apesar de eu gostar muito do Light como personagem que supera todos os outros personagens que estão ao seu redor, ele teve um destino digno e merecido para o ser humano que ele realmente era. E é fato que por mais que o admire, em algum momento você sentirá raiva e ódio dele. O egoísmo dele realmente não possuía limites no final da obra.




Não postarei aqui um comparativo e evolução do cosplay porque ele realmente não teve (ainda). Fiz duas versões: uma com a roupa toda preta e a versão da gravata vermelha que ele usa tanto no anime quanto em algumas imagens promocionais. Pretendo comprar o paletó bege para deixar o cosplay mais fiel e uma nova peruca, em um tom mais castanho.

Utilizei o cosplay 3 vezes até o momento. Duas vezes em pequenos eventos que foi mais com o foco para fotos e um photoshoot mesmo. Ainda quero usá-lo em evento de anime mesmo. Mesmo que Death Note já não seja mais uma obra "do momento" sempre é bem reconhecida, Mas quando utilizá-lo em evento, espero poder estar com grupinho. Porque em grupo fico tudo mais divertido e mitoso!




Enfim, acho que já não tenho muito mais o que falar por aqui. Tenho diversas fotos do photoshoot para postar mas selecionei aqui algumas. Futuramente faço um post com as fotos do photoshoot que realizei com uma amiga de Misa e quem sabe apareça até um photoshoot com grupo de Death Note? Se bem que eu fico na eterna dúvida se rolar grupo e qual personagem eu faço: Light ou Mello.

Eu fico olhando as fotos do photoshoot no cemitério e amando cada foto nele. Acho que captou bem a temática da obra. Pois Light, o Deus do Novo Mundo, apenas mantinha uma vasta horda de mortos por onde passava.



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Fotos por:

David Ernando
Eduardo Portas
Sander Antonelli Jr.


domingo, 13 de março de 2016

Le Portrait de Petit Cossette


“Quem me amaria tanto á ponto de sacrificar sua própria vida?”


Le Portrait de Petit Cossette pode ser considerado um clássico da animação japonesa no gênero de drama psicológico e terror. Criado originalmente por em 2004 por Asuka Katsura, a obra possui 2 volumes de mangá e um excelente OVA de 3 capítulos.
Dotado de um ritmo narrativo ímpar aliado á uma produção visual de altíssima qualidade, os OVAS constituem-se de uma atmosfera densa, sombria, confusa e por vezes sufocante. Mas ainda assim é permeada por uma suntuosidade bela e dramática, tornando-se o tipo de obra em que se faz necessário um profundo olhar para se captar cada detalhe subliminar e complexo ali contido. O mangá segue essa mesma linha, com um traço expressionista e denso, embora os detalhes de cenários não sejam muito bons, os traços gerais para ilustrar os momentos mais tensos é fenomenal.

Le Portrait de Petit Cossette conta a história de Eiiri Kurahashi, um jovem rapaz que trabalha em um antiquário requisitado. A trama meio que começa pelo meio e, entre flash-backs temos o conhecimento que, há algum tempo atrás o antiquário recebeu uma encomenda vinda diretamente da França. Nos inúmeros objetos recebidos, uma taça de cristal permeada por uma coloração vívida atrai totalmente a atenção do rapaz. Ali estava – de uma forma inexplicável, o espírito de uma belíssima menina, Cossette D’Auvegne. Confuso á princípio, Eiiri passa a se tornar cada vez mais introspectivo, focando-se  em ficar ao lado do espírito de Cossette, conversando e fascinando-se por ela, que demonstra um certo interesse e carinho por  ele até o ponto em que o fascínio de Eiiri acaba por fazê-lo se apaixonar pela garota.

Através da própria Cossette, Eiiri descobre a história da garota. Na época vitoriana, Cossette – filhas de ricos e nobres franceses – tornou-se inspiração e modelo preferida do artista e pintor Marcelo Orlando, graças á sua beleza e tenra idade. Marcelo então tornou-se noivo da garota que até então era sua inspiração.

Porém, em uma lembrança mostrada á Eiiri, Cossette foi brutalmente assassinada pelo homem que amava – e que também a amava- Marcelo Orlando. Eiiri descobre então que sua semelhança física com Marcelo não é mera coincidência: de certa forma ele é a reencarnação do pintor e por conta disso o espírito de Cossette, é, de certa forma atraído para ele.



Devido á sua morte brutal pela pessoa que amou (mesmo se passado 250 anos) e ainda ama, Cossette instrui Eiiri do destino que ele deve cumprir. Os objetos que estiveram presentes no assassinato da garota e que agora permanecem no antiquário estão repletos de rancor e vingança, impregnados por uma forte energia espiritual negativa contra Marcelo Orlando. Para que isso cesse e a alma de Cossette possa se libertar, seria necessário que Eiiri sofre a terrível penitência para expurgar os pecados de Marcelo.

Nesse ponto é interessante notar que Cossette, embora pareça frágil e inocente parece esonder uma tendência á manipulação e desejo de vingança contra Marcelo Orlando. Porém, talvez por tanto tempo ter-se passado, esse sentimento de vingança é subjugado por uma melancolia. A prática da tortura em Eiiri devido ao crime cometido por Marcelo ao matá-la se revela mais uma forma de que, podendo expurgar seus pecados, Marcelo tenha a alma limpa para que Cossette possa então ficar ao lado dele.

Tomado pelo amor, Eiiri faz o pacto de sangue com Cossette e, tendo seu corpo e sua alma crucificados em algum limiar de mundos terrenos e psicológicos, ele é crucificado e torturado inúmeras vezes. Se ele contestar das punições impostas, Cossette lembra-o de que está foi sua própria decisão e a única forma do rancor ser aplacado. Mesmo diante da tortura física e emocional, Eiiri não é capaz de abdicar do fardo: o amor pelo espírito de Cossette faz com que ele tudo suporte somente para libertá-la da solidão. E, diante do amor de Eiiri, Cossette não fica indiferente. Em sua longa solidão, ela encontra no rapaz alguém que é igualmente capaz de amá-la. 

Le Portrait de Petit Cossette é uma obra de arte, de modo a ser apreciada e compreendida por poucos. Permeada por inúmeras referências artísticas e filosóficas, a história aborda diversos temas de uma forma psicológica que, em alguns pontos chega a ser intrigante. O amor trágico, desesperado e doentio desenvolvido por Cossette, Eiiri e Marcelo é algo capaz de ser analisado por diversos ângulos. Da filosofia á psicanálise, passando pela arte romântica e o pavor poético, a razão de ser de Eiiri e Marcelo parece ter se tornado unicamente Cossette.

Ah, Cossette. A jovem garota, quase uma criança que, para o artista tornou-se sua inspiração suprema da beleza que o fez chegar ao ponto de matá-la. Vemos em Marcelo Orlando as referências lúgrubres de duas obras muito famosas da literatura: O Retrato Oval, de Edgar Allan Poe e O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.
Nestas duas histórias, temos o amor do artista em retratar com perfeição as qualidades de seu amor. Cossette possui a fragilidade e a melancolia gótica da esposa de O Retrato Oval, bem como a beleza e pureza de Dorian Gray que o artista Basílio pintou no quadro.



Ainda na comparação entre O Retrato de Dorian Gray e Le Portrait de Petit Cossette vemos diversas semelhanças em um modo inverso. Entretanto, creio que se enumerar estes pontos, fatos importantes de interpretação da trama em si poderão ser revelados, de forma que não pretendo me estender em demasia. Opto apenas por dizer que a obsessão de Marcelo ante á beleza de Cossette assemelha-se á obsessão de Basílio por Dorian;. Em ambos os casos, os artistas confrontam-se com a mudança de seus modelos reais para com a perfeição que conceberam em suas mentes e transportam para os quadros. Basílio não aceita que Dorian – puro em seu quadro – tenha se tornado depravado e imoral na vida real; Marcelo não aceita que Cossette – jovem e imaculada – possa estar crescendo. Como ele mesmo diz antes de assassiná-la: “Matando-a, permitirei que você já,ais precise mudar.”

Vemos assim que em Le Portrait de Petit Cossette a obsessão por aquilo que Marcelo julgou perfeito possa ter se tornado o desespero que o levou ao crime e, consequentemente o remorso espiritual. Cossette ao mesmo tempo que é vítima dele, é vítima de si própria. O amor autoflagelador reflete-se igualmente em Eiiri que , alheio á “vida real” e convívio com os outros, fecha dentro do ciclo de expurgação de pecados que não pertencem á ele. Mas ele aceita por Cossette.

Divagar mais e se aprofundar na análise poderia levar em risco de se contar demais da história. Em determinados momentos a trama parece confusa e, de fato é. Mas isso é sempre presente em obras nas quais se utilizam referências silenciosas e figuras de linguagem á fim de se desenvolver diversas teorias acerca do enredo.

A animação é excelente, com ótimos efeitos, luz, cores e profundidade. Não chega a ser necessariamente assustador e sim intrigante. Cossette é lindamente surreal, como se fosse uma pequenina e triste deusa – uma mulher em corpo de criança. A trilha sonora é excelente, com o toque melancólico e místico, composto pela produtora Yuki Kajiura (responsável pelo grupo musical Kalafina).


Le Portrait de Petit Cossette é um anime muito diferente do que a maioria das pessoas está habituada. É uma boa opção para aqueles que apreciam uma animação de requinte, com enredo profundo e melancólico que, de forma sombria narra uma história de terror e amor poético coberto por referenciais clássicos e psicológicos. Uma história capaz de fazê-lo desejar que se fosse mais explorado e que reflete até que ponto a perfeição de uma arte pode abater-se naqueles que nela se envolvem.

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domingo, 6 de março de 2016

Tsu no Vídeo


Para quem não sabe, eu tenho um canal no Youtube. Sim, parece loucura mas é verdade.
Eu decidi ano passado a fazer um canal no Youtube á constantes pedidos de amigos e conhecidos do meu círculo social e do meio cosplay.

Eu devo confessar que não sou muito fã de vloggers. Acho que eles tiraram muito o foco das pessoas sobre a leitura. Com o surgimento deles o povo (que á cada ano que passa se torna mais preguiçoso para ler) acabou abandonando os blogs, o que é uma pena.
Eu gosto muito de escrever, gosto de ler e sinto saudades da imensa quantidade de blogs que existiam anos atrás, alguns excelentes e bem diversificados, com uma troca de contatos e vários comentários que geravam uma interação muito legal. Eu sei como é ter um blog de alcance alto, meu antigo blog (o Empadinha Frita) chegou á um bom nível e cheguei até mesmo a fazer amizades duradouras através dele.

Clique Aqui e acesse o Meu Canal!


Mas, os tempos mudam e querendo ou não, os vloggers e canais do youtube ganharam espaço e atualmente são o meio de mídia social mais prático e popular para se divulgar os próprios trabalhos, compartilhar conhecimentos, falar o que pensa e propagar idéias. Temos por aí uma infinidade de canais que variam do excelente ao péssimo..do mega profissional ao amador. Cada pessoa que monta seu próprio canal define os tipos de retorno que deseja obter. Alguns o fazem como uma forma de serem reconhecidos e até ganhar dinheiro, outros fazem mais por diversão. Eu me encaixo no segundo caso.

Meu Canal é super amador. Já aviso desde já. Não tenho pretensões por enquanto de deixá-lo mais profissional ou com efeitos uma porque não tenho muita paciência e tempo e outra porque eu acho mais prático (pelo menos pra mim) escrever do que falar. Porém mesmo que ele seja simples e amador, eu tento fazer o melhor possível.


Um print dos vídeos do meu canal. Ainda não tem muitos,
mas a lista irá aumentar!



Gravo com a câmera do meu celular mesmo, em uma parte aqui da minha casa. Por sorte, acho que não sou ruim para falar e explicar meu ponto de vista sobre os temas que abordo e saliento que eu faço tudo no improviso, não tenho um roteiro pronto. Apenas ligo o "play' e vou falando o que me vem á mente.

No meu singelo e simples canal eu falo sobre COSPLAY, obviamente. Na verdade abordo, em cada vídeo, determinadas coisas sobre cosplay e o meio cosplay que são dicas e opiniões. Espero que com isso eu possa ajudar as pessoas com algumas dicas e sanar algumas dúvidas sobre cosplay, bem como alertá-las sobre as tretas sempre presentes no meio.

Para dar uma diferenciada me proponho, em cada vídeo, utilizar um cosplay diferente. Acho que isso cria um dinamismo melhor e é algo que eu não tinha visto antes, exceto em tutoriais de maquiagem. Acabei criando isso como um diferencial dos meus vídeos, já que não utilizo neles qualquer  tipo de efeitos.

Confiram aqui um dos vídeos XD

Eu não tenho uma periodicidade fiz para atualizar o canal. Realizo os vídeos quando encontro tempo porque preciso ajeitar a câmera (eu gravo pelo celular então faço uns paranauê aqui para colocar tudo certinho) e vestir o cosplay a ser usado no vídeo. Por conta disso ás vezes não consigo conciliar o tempo para gravar com os outros afazeres.

Meu canal chama TSU NO VIDEO e estou sempre aberta á sugestões e dicas. Tanto para melhorar o canal emsi como sobre os assuntos que posso abordar, sendo relacionados ao meio cosplay direta ou indiretamente. E através do meu canal, vocês poderão conferir também os demais Canais que sigo evídeos que curto! Dou um destaque para o canal de PELLEK, TAYLOR DAVIS, PETER HOLLENS e LINDSAY STERLING. São canais de artistas com vozes e talentos maravilhosos, super recomendo!

Vejam o meu canal completo aqui:



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